Uma entidade de previdência complementar (EFPC) sustenta inovação aberta de forma escalável quando trata integração como infraestrutura reutilizável, não como um projeto isolado a cada parceria. O case da Fundação Elos, estruturado com o LinkLab da ACATE e a Fluid, mostra como isso funciona na prática. Em vez de reconstruir uma integração a cada novo parceiro, produto ou serviço, a Elos passou a contar com uma camada única de integração — um “adaptador universal” — capaz de absorver novas conexões sem recomeçar do zero.
O que significa inovação aberta em uma entidade de previdência complementar
Inovação aberta é o modelo em que uma organização busca, fora de seus próprios limites — em startups, parceiros de tecnologia e ecossistemas externos —, soluções para problemas que não resolveria sozinha na mesma velocidade ou com o mesmo custo. Para uma Entidade Fechada de Previdência Complementar (EFPC), regulada pela Previc (Superintendência Nacional de Previdência Complementar), isso costuma significar buscar, no mercado, startups de tecnologia financeira, automação e dados para modernizar processos sem assumir sozinha o custo e o risco de desenvolver tudo internamente.
O modelo já tem tração no setor: fóruns e seminários promovidos por entidades como a Abrapp discutem publicamente que a previdência complementar “vive um novo ciclo que pede inovação e ousadia das EFPCs”. O desafio, hoje, não é mais convencer o setor de que inovação aberta é relevante. É descobrir como sustentar essas parcerias sem que cada uma delas se torne um projeto de TI isolado.
O problema real: cada parceria nova cria uma nova dependência tecnológica
Foi esse o padrão identificado pela Fundação Elos, entidade de previdência complementar que atende aos colaboradores do sistema Axia Energia. À medida que a Elos passou a buscar soluções externas para seus desafios operacionais, por meio do LinkLab, hub de inovação aberta da ACATE (Associação Catarinense de Tecnologia), um problema recorrente apareceu: cada novo parceiro, produto ou serviço abria, por padrão, um novo ciclo de integração sob medida.
O caminho se repetia sempre da mesma forma: nova parceria, nova integração, novo desenvolvimento, mais tempo, mais custo. Multiplicado por cada iniciativa de inovação aberta em andamento, esse ciclo se torna, na prática, o próprio fator que trava a capacidade da entidade de aproveitar as oportunidades que ela mesma foi buscar.
Por que isso não é um problema de tecnologia, e sim de escala
A tentação comum é tratar isso como uma questão técnica pontual — “a próxima integração vai ser mais rápida, porque já aprendemos com a anterior.” Na prática, sem uma camada reutilizável, cada integração nova ainda parte quase do zero. Novo mapeamento de dados, nova autenticação, novo monitoramento, novo ponto de falha. O gargalo não está na dificuldade de uma integração específica — está em não ter uma base comum sobre a qual construir a próxima.
O case: como a Fundação Elos estruturou sua base de integração com o LinkLab e a Fluid
O contexto: LinkLab, ACATE e o encontro com a Fluid
O LinkLab é o programa de inovação aberta da ACATE. Segundo dados públicos do próprio programa, ele reúne mais de 60 grandes corporações, entre elas ArcelorMittal, Ailos, Engie, Whirlpool e Unimed, já concluiu mais de 200 projetos entre startups e corporates, e registra uma taxa de sucesso de 53% em negócios efetivamente fechados entre as partes. Foi dentro desse ecossistema que a Fundação Elos avaliou soluções para dois desafios distintos ao mesmo tempo: automação do monitoramento de pagamentos, resolvida com a startup PagPlan, e orquestração de integrações e dados entre sistemas, resolvida com a Fluid.
Esse detalhe importa: o modelo de inovação aberta da Elos não dependia de uma única parceria, mas de várias rodando em paralelo. É exatamente esse cenário — múltiplas iniciativas simultâneas, cada uma com seu próprio fornecedor — que torna a existência (ou ausência) de uma base de integração comum tão determinante.
A solução: uma camada de integração, não um projeto único
Em vez de tratar a parceria com a Fluid como “mais uma integração pontual”, a abordagem foi diferente desde o início. Construir uma camada de orquestração de APIs e dados que funcionasse como um adaptador universal, capaz de se encaixar em diferentes padrões de sistemas, inclusive além do ERP já usado pela fundação. Na prática, isso significa que a próxima parceria, produto ou serviço que a Elos decidir buscar no ecossistema de inovação aberta não precisa começar a integração do zero.
Os resultados registrados
De acordo com o case publicado pela ACATE, a parceria simplificou a gestão das integrações da Elos com conectores nativos, unificou o monitoramento das conexões e ampliou a capacidade de integração da fundação para além do seu sistema ERP original. Os ganhos relatados pela ACATE são eficiência operacional, mais autonomia da equipe na gestão das integrações e decisões mais rápidas por acesso a dados consistentes.
Três lições para qualquer entidade regulada que queira sustentar inovação aberta
Essas lições vêm diretamente da forma como a Fluid e a Elos estruturaram o projeto — e valem para qualquer EFPC, seguradora ou instituição regulada avaliando como lidar com múltiplas parcerias de inovação ao mesmo tempo.
Comece pelo problema, não pela tecnologia
A pergunta inicial não foi “qual ferramenta de integração vamos comprar”, mas “por que cada nova parceria trava na mesma etapa”. Entidades reguladas que começam pela tecnologia tendem a comprar uma solução pontual para o problema do momento — e repetem o mesmo ciclo de decisão na parceria seguinte.
Construa para a próxima oportunidade, não apenas para o projeto atual
Uma integração projetada apenas para resolver a necessidade de hoje se torna, ela mesma, um novo ponto de dependência amanhã. O critério de decisão muda quando a pergunta passa a ser: essa solução também vai servir para a próxima parceria que ainda não sabemos que vamos fazer?
Integração também é estratégia, não apenas responsabilidade da TI
Quando a capacidade de integração determina a velocidade com que a organização consegue aproveitar oportunidades de inovação aberta, ela deixa de ser um detalhe técnico e passa a ser uma decisão de negócio — que envolve diretoria administrativo-financeira, compliance e governança, não só a equipe de tecnologia.
Onde a inteligência artificial entra nesse tipo de ecossistema
Vale um alerta direto: IA não conserta processos ruins nem sistemas que não conversam entre si. A sequência que sustenta um uso responsável de IA em um ambiente regulado segue uma ordem: primeiro processos claros, depois dados organizados, depois integração entre sistemas — e só então IA aplicada sobre essa base. Pular etapas — aplicar IA diretamente sobre processos mal definidos ou sistemas desconectados — tende a amplificar o problema em vez de resolvê-lo, especialmente em um setor onde erros de processo têm implicação regulatória e fiduciária direta.
Para entidades de previdência complementar, isso significa que qualquer iniciativa de IA — de automação de conciliação a apoio à tomada de decisão — depende de ter, antes, uma camada de integração e governança de dados minimamente madura. É esse motivo, mais do que a promessa de IA em si, que torna a integração o ponto de partida.
Como avaliar se sua entidade está pronta para sustentar parcerias de inovação aberta
Antes de entrar em um programa de inovação aberta — seja via um hub como o LinkLab, uma aceleradora ou parcerias diretas com startups —, vale avaliar honestamente:
- Quantas integrações pontuais e não documentadas já existem hoje, criadas para resolver necessidades específicas de parceiros ou fornecedores anteriores?
- Quem, na organização, é responsável por decidir se uma nova parceria de tecnologia é viável em termos de integração — TI, negócio, ou os dois juntos?
- Existe uma camada única de orquestração e monitoramento de integrações, ou cada conexão tem sua própria lógica, seu próprio ponto de falha e seu próprio responsável?
- A entidade consegue medir, hoje, quanto tempo e custo uma nova integração consome — do primeiro contato com um parceiro até a integração em produção?
- As decisões de integração consideram apenas o problema atual, ou também a próxima parceria plausível?
Não existe resposta certa universal para essas perguntas — o ideal depende do porte da entidade, do número de parcerias simultâneas em avaliação e da maturidade atual dos sistemas legados. Mas entidades que respondem “não sei” para a maioria delas tendem a repetir o padrão que a Elos identificou: cada parceria nova, um novo projeto de integração do zero.
Perguntas frequentes
Inovação aberta e integração de sistemas são a mesma coisa? Não. Inovação aberta é o modelo de buscar soluções fora da organização — em startups, parceiros e ecossistemas externos. Integração de sistemas é a capacidade técnica de conectar essas soluções aos sistemas já existentes. Uma entidade pode ter um programa de inovação aberta ativo e, ainda assim, não ter capacidade de integração suficiente para sustentá-lo — foi exatamente esse o ponto de partida do case da Fundação Elos.
Um hub de inovação aberta como o LinkLab substitui a necessidade de uma plataforma de integração? Não. O hub conecta a entidade a soluções e parceiros relevantes; a plataforma de integração é o que permite que cada solução encontrada por meio do hub seja efetivamente conectada aos sistemas da entidade, de forma repetível. São camadas complementares, não substitutas.
Esse modelo se aplica só a fundos de pensão, ou serve para outras instituições reguladas? O padrão, cada parceria nova criando uma nova dependência tecnológica, não é exclusivo de EFPCs. Ele aparece em qualquer organização de médio a grande porte com sistemas legados que decide buscar inovação por meio de parcerias externas. Destaque para setores regulados onde a integração precisa ser auditável.
Conclusão: o próximo passo depende da base que existe hoje
O case da Fundação Elos não é sobre uma integração específica, é sobre o que acontece depois dela. Ecossistemas de inovação aberta como o LinkLab da ACATE aceleram o acesso a soluções, mas a velocidade real com que uma entidade consegue transformar esse acesso em valor depende da base de integração que ela já tem construída antes da próxima parceria aparecer.
O tema foi discutido no painel “Inovação: a geração de valor para a Entidade por meio da inovação aberta”, do 4º Congresso CEPREV de Previdência Complementar (agosto de 2026, Florianópolis/SC), reunindo representantes da ACATE, da Fundação Elos e da Fluid. Um encontro direto entre quem estrutura esses ecossistemas, quem vive o desafio operacional dentro de uma entidade regulada e quem constrói a camada de integração que sustenta essas parcerias no dia a dia.
Se sua entidade está avaliando como estruturar ou destravarum programa de inovação aberta, vale começar pela pergunta que orientou o case da Elos. A próxima parceria vai criar uma nova dependência tecnológica, ou vai se apoiar em uma base que você já tem?
CTA: Para aprofundar o conceito de camada de integração reutilizável, veja o guia completo de integração de sistemas com iPaaS da Fluid. Se sua entidade quer avaliar como sustentar parcerias de inovação aberta sem multiplicar projetos de integração, agende uma conversa com o time da Fluid.
Fonte:


